O que há em mim é sobretudo cansaço
Não disto nem daquilo,
Nem sequer de tudo ou de nada:
Cansaço assim mesmo, ele mesmo,
Cansaço.
A subtileza das sensações inúteis,
As paixões violentas por coisa nenhuma,
Os amores intensos por o suposto alguém.
Essas coisas todas -
Essas e o que faz falta nelas eternamente -;
Tudo isso faz um cansaço,
Este cansaço,
Cansaço.
Há sem dúvida quem ame o infinito,
Há sem dúvida quem deseje o impossível,
Há sem dúvida quem não queira nada -
Três tipos de idealistas, e eu nenhum deles:
Porque eu amo infinitamente o finito,
Porque eu desejo impossivelmente o possível,
Porque eu quero tudo, ou um pouco mais, se puder ser,
Ou até se não puder ser...
E o resultado?
Para eles a vida vivida ou sonhada,
Para eles o sonho sonhado ou vivido,
Para eles a média entre tudo e nada, isto é, isto...
Para mim só um grande, um profundo,
E, ah com que felicidade infecundo, cansaço,
Um supremíssimo cansaço.
Íssimo, íssimo, íssimo,
Cansaço...
Álvaro de Campos
terça-feira, 2 de fevereiro de 2010
segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010
...
Pergunto às estrelas, ao mar, ao vento que novidades têm para mim.
Procuro-TE nas entrelinhas das respostas do vento, do mar, das estrelas.
Nada vejo.
[...]
Olho o mar, testemunho dos nossos devaneios.
Outrora, loucos, amantes,
enrolámo-nos na areia salgada que nos serviu de colchão.
Também ela foi nossa testemunha!
Em tempos...
Em tempos fomos assim!
Hoje?
Que somos senão meros mortais perdidos na multidão?
[...]
Continuo a perguntar às estrelas, ao vento, ao mar que novidades têm para mim.
Estranhamente, nada ouço.
Talvez porque nada haja a dizer.
Cassandra (Maio, 2009)
Procuro-TE nas entrelinhas das respostas do vento, do mar, das estrelas.
Nada vejo.
[...]
Olho o mar, testemunho dos nossos devaneios.
Outrora, loucos, amantes,
enrolámo-nos na areia salgada que nos serviu de colchão.
Também ela foi nossa testemunha!
Em tempos...
Em tempos fomos assim!
Hoje?
Que somos senão meros mortais perdidos na multidão?
[...]
Continuo a perguntar às estrelas, ao vento, ao mar que novidades têm para mim.
Estranhamente, nada ouço.
Talvez porque nada haja a dizer.
Cassandra (Maio, 2009)
domingo, 17 de janeiro de 2010
Da janela que dá para a rua, reflicto-te.
O teu corpo, o teu gesto.
As tuas mãos encostam-se às minhas.
O teu rosto cola-se ao meu.
Incendeias-me com o teu suspiro.
Agrada-me o teu odor...
Entregues ao prazer, consomes-me ardentemente.
[...]
Destruídos os nossos desejos,
procuramos a realidade que nos circunda.
Que é dela?
Que é de nós?
Cassandra [Maio, 2009]
terça-feira, 5 de janeiro de 2010
Sabes eu também
"Estava difícil combinar um café
mas desta vez lá foi.
Talvez possamos falar do que já lá vai
que às vezes ainda dói
da coragem esquecida que já se perdeu
quem deixou por dizer foste tu ou fui eu
da lembrança guardada num canto qualquer
da palavra apagada por não se entender
e dizer-te num gesto mais enternecido
sabes, eu também ando um pouco perdido.
Vou preparar-te um jantar, com certeza
vou ser original
e vou escolher-te um bom vinho, tu sabes
nunca me saí mal
vou falar-te das voltas que a vida trocou
das verdades que o tempo já entrelaçou
entre sonhos queimados, lançados ao vento
entre a cor de um sorriso
e o tom de um lamento
e dizer-te de um sopro, empurrado pela sorte
sabes, eu também ando um bocado sem norte
Olha, não fiz sobremesa
deixa lá, fica para a outra vez
vamos deixar mais um copo a falar
dos quês e dos porquês
Uma história que nos apeteça lembrar
um episódio que nunca nos deu p'ra contar
em segredo guardado pelo cair do pano
um encontro marcado no cais de um engano
e dizer-te na hora em que a voz fraquejar
sabes, eu também... me apetece chorar
E vou chamar um táxi, é hora p'ra te levar a casa
era suposto um de nós nesta altura ficar com a alma em brasa
mas a vida é assim, não aconteceu
pouco importa dizer foste tu ou fui eu
o que importa é o abraço que estava por dar
há-de haver uma próxima e mais um jantar
e dizer-te a sorrir "já passa das três, dorme bem"
Quem sabe? Um dia, talvez..."
Sebastião Antunes
[O texto é da autoria de Sebastião Antunes. Mas, esta é a história de todos nós…!]
mas desta vez lá foi.
Talvez possamos falar do que já lá vai
que às vezes ainda dói
da coragem esquecida que já se perdeu
quem deixou por dizer foste tu ou fui eu
da lembrança guardada num canto qualquer
da palavra apagada por não se entender
e dizer-te num gesto mais enternecido
sabes, eu também ando um pouco perdido.
Vou preparar-te um jantar, com certeza
vou ser original
e vou escolher-te um bom vinho, tu sabes
nunca me saí mal
vou falar-te das voltas que a vida trocou
das verdades que o tempo já entrelaçou
entre sonhos queimados, lançados ao vento
entre a cor de um sorriso
e o tom de um lamento
e dizer-te de um sopro, empurrado pela sorte
sabes, eu também ando um bocado sem norte
Olha, não fiz sobremesa
deixa lá, fica para a outra vez
vamos deixar mais um copo a falar
dos quês e dos porquês
Uma história que nos apeteça lembrar
um episódio que nunca nos deu p'ra contar
em segredo guardado pelo cair do pano
um encontro marcado no cais de um engano
e dizer-te na hora em que a voz fraquejar
sabes, eu também... me apetece chorar
E vou chamar um táxi, é hora p'ra te levar a casa
era suposto um de nós nesta altura ficar com a alma em brasa
mas a vida é assim, não aconteceu
pouco importa dizer foste tu ou fui eu
o que importa é o abraço que estava por dar
há-de haver uma próxima e mais um jantar
e dizer-te a sorrir "já passa das três, dorme bem"
Quem sabe? Um dia, talvez..."
Sebastião Antunes
[O texto é da autoria de Sebastião Antunes. Mas, esta é a história de todos nós…!]
domingo, 13 de dezembro de 2009
Imperfeição
Quero viver uma, duas, três, várias histórias...
Quero viver muitas histórias sem pertencer a nenhuma.
Simplesmente, quero perder-me!
Não busco a perfeição.
[Cansei-me.]
Não procuro a justiça.
[Habituei-me à ideia de que ela não existe.]
Não ambiciono a paz para o mundo.
[Tenho a consciência de que se tornou uma verdadeira utopia.]
Não quero a perfeição, nem a justiça, nem a paz!
Não quero ser hipócrita como os hipócritas que me rodeiam.
Quero viver muitas histórias sem pertencer a nenhuma.
Simplesmente, quero perder-me!
Não busco a perfeição.
[Cansei-me.]
Não procuro a justiça.
[Habituei-me à ideia de que ela não existe.]
Não ambiciono a paz para o mundo.
[Tenho a consciência de que se tornou uma verdadeira utopia.]
Não quero a perfeição, nem a justiça, nem a paz!
Não quero ser hipócrita como os hipócritas que me rodeiam.
Não! Não amo o mundo,
não acredito na justiça,
não acredito na perfeição,
nem procuro a paz!
Imperfeita?
Talvez.
Que importa, se não procuro a perfeição?
Que importa, se não procuro a perfeição?
Quero viver muitas histórias.
Definitivamente, não quero pertencer a nenhuma.
Cassandra (13, Dezembro, 2009)
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