Pergunto às estrelas, ao mar, ao vento que novidades têm para mim.
Procuro-TE nas entrelinhas das respostas do vento, do mar, das estrelas.
Nada vejo.
[...]
Olho o mar, testemunho dos nossos devaneios.
Outrora, loucos, amantes,
enrolámo-nos na areia salgada que nos serviu de colchão.
Também ela foi nossa testemunha!
Em tempos...
Em tempos fomos assim!
Hoje?
Que somos senão meros mortais perdidos na multidão?
[...]
Continuo a perguntar às estrelas, ao vento, ao mar que novidades têm para mim.
Estranhamente, nada ouço.
Talvez porque nada haja a dizer.
Cassandra (Maio, 2009)
segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010
domingo, 17 de janeiro de 2010
Da janela que dá para a rua, reflicto-te.
O teu corpo, o teu gesto.
As tuas mãos encostam-se às minhas.
O teu rosto cola-se ao meu.
Incendeias-me com o teu suspiro.
Agrada-me o teu odor...
Entregues ao prazer, consomes-me ardentemente.
[...]
Destruídos os nossos desejos,
procuramos a realidade que nos circunda.
Que é dela?
Que é de nós?
Cassandra [Maio, 2009]
terça-feira, 5 de janeiro de 2010
Sabes eu também
"Estava difícil combinar um café
mas desta vez lá foi.
Talvez possamos falar do que já lá vai
que às vezes ainda dói
da coragem esquecida que já se perdeu
quem deixou por dizer foste tu ou fui eu
da lembrança guardada num canto qualquer
da palavra apagada por não se entender
e dizer-te num gesto mais enternecido
sabes, eu também ando um pouco perdido.
Vou preparar-te um jantar, com certeza
vou ser original
e vou escolher-te um bom vinho, tu sabes
nunca me saí mal
vou falar-te das voltas que a vida trocou
das verdades que o tempo já entrelaçou
entre sonhos queimados, lançados ao vento
entre a cor de um sorriso
e o tom de um lamento
e dizer-te de um sopro, empurrado pela sorte
sabes, eu também ando um bocado sem norte
Olha, não fiz sobremesa
deixa lá, fica para a outra vez
vamos deixar mais um copo a falar
dos quês e dos porquês
Uma história que nos apeteça lembrar
um episódio que nunca nos deu p'ra contar
em segredo guardado pelo cair do pano
um encontro marcado no cais de um engano
e dizer-te na hora em que a voz fraquejar
sabes, eu também... me apetece chorar
E vou chamar um táxi, é hora p'ra te levar a casa
era suposto um de nós nesta altura ficar com a alma em brasa
mas a vida é assim, não aconteceu
pouco importa dizer foste tu ou fui eu
o que importa é o abraço que estava por dar
há-de haver uma próxima e mais um jantar
e dizer-te a sorrir "já passa das três, dorme bem"
Quem sabe? Um dia, talvez..."
Sebastião Antunes
[O texto é da autoria de Sebastião Antunes. Mas, esta é a história de todos nós…!]
mas desta vez lá foi.
Talvez possamos falar do que já lá vai
que às vezes ainda dói
da coragem esquecida que já se perdeu
quem deixou por dizer foste tu ou fui eu
da lembrança guardada num canto qualquer
da palavra apagada por não se entender
e dizer-te num gesto mais enternecido
sabes, eu também ando um pouco perdido.
Vou preparar-te um jantar, com certeza
vou ser original
e vou escolher-te um bom vinho, tu sabes
nunca me saí mal
vou falar-te das voltas que a vida trocou
das verdades que o tempo já entrelaçou
entre sonhos queimados, lançados ao vento
entre a cor de um sorriso
e o tom de um lamento
e dizer-te de um sopro, empurrado pela sorte
sabes, eu também ando um bocado sem norte
Olha, não fiz sobremesa
deixa lá, fica para a outra vez
vamos deixar mais um copo a falar
dos quês e dos porquês
Uma história que nos apeteça lembrar
um episódio que nunca nos deu p'ra contar
em segredo guardado pelo cair do pano
um encontro marcado no cais de um engano
e dizer-te na hora em que a voz fraquejar
sabes, eu também... me apetece chorar
E vou chamar um táxi, é hora p'ra te levar a casa
era suposto um de nós nesta altura ficar com a alma em brasa
mas a vida é assim, não aconteceu
pouco importa dizer foste tu ou fui eu
o que importa é o abraço que estava por dar
há-de haver uma próxima e mais um jantar
e dizer-te a sorrir "já passa das três, dorme bem"
Quem sabe? Um dia, talvez..."
Sebastião Antunes
[O texto é da autoria de Sebastião Antunes. Mas, esta é a história de todos nós…!]
domingo, 13 de dezembro de 2009
Imperfeição
Quero viver uma, duas, três, várias histórias...
Quero viver muitas histórias sem pertencer a nenhuma.
Simplesmente, quero perder-me!
Não busco a perfeição.
[Cansei-me.]
Não procuro a justiça.
[Habituei-me à ideia de que ela não existe.]
Não ambiciono a paz para o mundo.
[Tenho a consciência de que se tornou uma verdadeira utopia.]
Não quero a perfeição, nem a justiça, nem a paz!
Não quero ser hipócrita como os hipócritas que me rodeiam.
Quero viver muitas histórias sem pertencer a nenhuma.
Simplesmente, quero perder-me!
Não busco a perfeição.
[Cansei-me.]
Não procuro a justiça.
[Habituei-me à ideia de que ela não existe.]
Não ambiciono a paz para o mundo.
[Tenho a consciência de que se tornou uma verdadeira utopia.]
Não quero a perfeição, nem a justiça, nem a paz!
Não quero ser hipócrita como os hipócritas que me rodeiam.
Não! Não amo o mundo,
não acredito na justiça,
não acredito na perfeição,
nem procuro a paz!
Imperfeita?
Talvez.
Que importa, se não procuro a perfeição?
Que importa, se não procuro a perfeição?
Quero viver muitas histórias.
Definitivamente, não quero pertencer a nenhuma.
Cassandra (13, Dezembro, 2009)
terça-feira, 8 de dezembro de 2009
Odi et amo
Amo
amas
amat
amamus
amatis
amant
Amo, amo, amo.
Odi et amo
Enim, quid amor est?
Cassandra (8 de Dezembro, 2009)
amas
amat
amamus
amatis
amant
Amo, amo, amo.
Odi et amo
Enim, quid amor est?
Cassandra (8 de Dezembro, 2009)
domingo, 6 de dezembro de 2009
[In]satisfação
Devo confessar que, por mais que procure, nunca me sinto satisfeita. Há sempre qualquer coisa que falta. Insatisfeita per natura? Talvez. Mas, que é do ser humano sem esta busca incessante? Simples animal que vagueia? Monstro insensível que vive somente de si e para si? Que é da loucura? Que é da vontade de ir mais além, de atravessar mares desconhecidos? Que é da capacidade de dar novos mundos ao mundo? Sem vontade própria, que é do homem?
Curiosamente, "insatisfação" é um termo paradoxal, se não vejamos: o vocábulo remete para uma ideia de não satisfação. Diz-se, por isso, que uma pessoa insatisfeita é "uma pessoa que não se sente bem relativamente a uma determinada situação ou realidade". Ora, o paradoxo reside precisamente na formação da palavra - in+satisfação - pois in é um prefixo latino que significa "em, estar em, etc...". Por esta ordem, parece-me óbvio que in+satisfação é sinónimo de "estar na satisafação, estar satisfeito.." Não obstante, usamo-la com o sentido contrário, dizendo-nos, então,pessoas insatisfeitas quando não nos sentimos bem com algo ou alguma coisa. O mesmo se poderia dizer de palavras como infelicidade, indignidade, incapacidade... É mais uma das incoerências da nossa Língua, a nossa bela Língua!..
Cassandra (7 de Dezembro de 2009; 11:13)
"Cântico Negro" [José Régio]
A cada dia que passa, nas situações mais inesperadas, deparo-me com poesia... poesia verdadeiramente poesia, poesia que me faz inquietar a alma, poesia que acende em mim a vontade de fazer poesia, de gritar ao mundo "viva a poesia"!
Poesia, poesia,poesia... Sempre a poesia!...
Há dias, não me lembro bem onde, ouvi este poema. Em jeito de convite à leitura, deixo-o aqui para que o possam apreciar.
Cântico Negro
"Vem por aqui" - dizem-me alguns com os olhos doces
Estendendo-me os braços, e seguros
De que seria bom que eu os ouvisse
Quando me dizem: "vem por aqui!"
Eu olho-os com olhos lassos,
(Há, nos olhos meus, ironias e cansaços)
E cruzo os braços,
E nunca vou por ali...
A minha glória é esta:
Criar desumanidade!
Não acompanhar ninguém.
- Que eu vivo com o mesmo sem-vontade
Com que rasguei o ventre à minha mãe
Não, não vou por aí! Só vou por onde ´
Me levam meus próprios passos...
Se ao que busco saber nenhum de vós responde
Por que me repetis: "vem por aqui!"?
Prefiro escorregar nos becos lamacentos,
Redemoinhar aos ventos,
Como farrapos, arrastar os pés sangrentos,
A ir por aí...
Se vim ao mundo, foi
Só para desflorar florestas virgens,
E desenhar meus próprios pés na areia inexplorada!
O mais que faço não vale nada.
Como, pois sereis vós
Que me dareis impulsos, ferramentas e coragem
Para eu derrubar os meus obstáculos?...
Corre, nas vossas veias, sangue velho dos avós,
E vós amais o que é fácil!
Eu amo o Longe e a Miragem,
Amo os abismos, as torrentes, os desertos...
Ide! Tendes estradas,
Tendes jardins, tendes canteiros,
Tendes pátria, tendes tectos,
E tendes regras, e tratados, e filósofos, e sábios...
Eu tenho a minha Loucura !
Levanto-a, como um facho, a arder na noite escura,
E sinto espuma, e sangue, e cânticos nos lábios...
Deus e o Diabo é que guiam, mais ninguém.
Todos tiveram pai, todos tiveram mãe;
Mas eu, que nunca principio nem acabo,
Nasci do amor que há entre Deus e o Diabo.
Ah, que ninguém me dê piedosas intenções!
Ninguém me peça definições!
Ninguém me diga: "vem por aqui"!
A minha vida é um vendaval que se soltou.
É uma onda que se alevantou.
É um átomo a mais que se animou...
Não sei por onde vou,
Não sei para onde vou
- Sei que não vou por aí!
José Régio
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